quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O comodismo nosso de cada dia


Comodismo é um atraso de vida. É pior que a preguiça. É mais duradouro. Comodismo é se conformar com o que não está bom. A situação não é boa, mas é minimamente aceitável. Então deixa assim. É dessa forma que as pessoas vão se acostumando, dia após dia, com a falta de felicidade. Não é que sejam infelizes. Elas simplesmente se conformam com a ausência daquela alegria de viver.

Sonhar é bom, mas não basta. É preciso correr atrás do que se quer, não desistir na primeira dificuldade, não se acomodar. Quando estava no ensino médio, tinha um cartão com um trecho de um texto de Roberto Shinyashiki grudado na porta do meu armário. Todos os dias olhava para ele. Uma das partes dizia assim: “se você quiser atingir uma meta especial, terá de estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas. Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão.” Nunca esqueci dessas palavras.

Vontade e dedicação são imprescindíveis para atingir quaisquer objetivos. Dos mais modestos aos mais grandiosos. E sempre será necessário abrir mão de algo. Eleger prioridades. A verdade é que o comodismo é uma espécie de câncer. É silencioso, normalmente demora para ser percebido, e vai matando, pouco a pouco, nossa felicidade. Por isso, fique atento. Quando detectado tardiamente, o quadro pode ser irreversível.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O tempo de uma amizade

Há pouco mais de dez dias comemorou-se o dia do amigo. Uma data bastante curiosa pois, diferente de outras datas comemorativas, esta homenageia uma pluralidade de pessoas de maneira que é quase impossível você aproveitar esse dia com todos os que gostaria de estar celebrando. Mas, mais curiosa do que essa data, é o sentimento que deu origem a ela: a amizade.

 Pode parecer um assunto um tanto clichê, afinal muito já foi falado sobre o poder das verdadeiras amizades, a sorte daqueles que têm amigos de uma vida inteira etc. Já foram escritos textos, declarações e poesias sobre este tão nobre sentimento. Mas a minha intenção é diferenciada. Gostaria de refletir sobre as amizade a partir de outra perspectiva. Falar sobre os diferentes tipos de amizade, e seus respectivos tempos de duração. Não há como negar que, no decorrer da vida, nos deparamos com amigos falsos e verdadeiros.

Mas, se uma amizade não dura uma vida inteira, isso não significa, necessariamente, que ela é de mentira. Existem amizades que, apesar de momentâneas, não deixam de ser verdadeiras. Afinal, quem nunca passou horas rindo, conversando e se divertindo com uma pessoa até então desconhecida que foi apresentada por parentes em uma almoço dominical. Durante aquela tarde, aquela pessoa foi uma grande amiga. Pode ser que você nunca mais volte a vê-la, mas isso não tira o mérito daquele encontro.


Algumas amizades duram uma semana: aquele grupo de amigos que você conheceu na praia. Outras que duram um ou dois anos, até o seu amigo mudar de colégio ou de emprego. E, é claro, existem aquelas amizades indestrutíveis, que resistem ao tempo, à distância e a todo e qualquer obstáculo. Essas, sem dúvida, são as mais raras e profundas. Mas as outras, aquelas de momento, também têm um papel especial em nossas vidas.

 Pois, para mim, o que determina o valor de uma amizade não é o seu tempo de duração (contado nos ponteiros do relógio), mas sim a capacidade de entrega dos amigos nos momentos passados juntos. Parafraseando o poeta Vinícius de Moraes, assim como no amor, o mais importante de uma amizade é que ela seja infinita enquanto dure.

terça-feira, 30 de julho de 2013

A linguagem do olhar

Olhares. Ultimamente ando intrigada com este sentido tão natural dos seres humanos. Um olhar diz o que? Muito mais do que qualquer palavra pois a linguagem do olhar é tão expressiva e verdadeira que não pode ser facilmente manipulada (e nem sequer calada). O modo de falar dos olhos, porém, é metafórico, subjetivo.É como uma poesia. É preciso prestar atenção, ler e reler e transpor algumas barreiras para compreendê-lo em sua plenitude.A tradução de um olhar não é uma ato objetivo e inteligível. Não é possível transpor em palavras. Ele é auto-explicativo por si só.


Há pessoa que possuem ou adquirem olhares enigmáticos. Pessoas com dons sublimes, muitas vezes não reconhecidos ou devidamente valorizados. O olhar perdido no tempo e nas notas musicais no momento da criação.Pessoas cujos olhos mostram, simultaneamente, a dor do sofrimento jamais apagado e a alegria da superação nunca abandonada.

O brilho no olhar. Este é próprio daqueles que têm convicção em seus sonhos.Aqueles que enxergam muito além das barreiras e para quem as limitações são sempre passageiras.

Há ainda os que possuem o olhar límpido como água. Olhos que resumem o seu ser.Alguns deste deixam-se revelar. Outros criam artifícios na tentativa de evitar o sofrimento que a transparência excessiva pode trazer.
A verdade é que os olhares, mais do que vistos, precisam ser sentido. Esta é a única maneira que possibilita a interpretação deste linguajar propositalmente misterioso.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Sobre livros, ficção e realidade


Durante um ano, são muitas as pessoas que entram e saem de nossas vidas. Pessoas que deixam marcas, ensinamentos, saudade. Porém, para aqueles que apreciam o hábito da leitura, não são somente os seres da realidade que preenchem os nossos dias. Alguns personagens inusitados e (em sua maioria) fictícios, presentes nas páginas de contos e romances, ganham a oportunidade de entrar em nosso mundo real quando motivam reflexões e pequenas mudanças. Inseridos em histórias e relatos eles são capazes de nos embriagar a ponto de ficarmos refletindo sobre suas aventuras e inquietações, que passam a ser um pouco nossas também. Durante o ano de 2012, foram muitos os personagens que fizeram parte do meu mundo literário. As incertezas e apreensões do jovem escritor David Martín, protagonista do Jogo do Anjo, se misturaram com o sentimento de justiça e perseverança da também novata advogada Jeniffer Parker, em um livro de título semelhante – A Ira dos Anjos – mas enredo e estilo diversos. Depois de Barcelona de Zafón e da Big Apple de Sidney Sheldon viajei para Sarajevo onde Hanna me mostrou a satisfação que ganhamos ao escolher a profissão certa, especialmente quando ela gera um bem comum. No caso de Hanna recuperando, nas Memórias do Livro, parte do conhecimento humano.

A França também esteve no meu roteiro e foi cenário para as traições, o tédio e os sonhos incertos da insatisfeita Madame Bovary,e para o amor intenso e proibido de Peter e Olívia, no decorrer de Cinco dias em Paris. Estes livros demonstraram que a felicidade é infinitamente superior e mais importante que a manutenção das aparências. Já a história de Christine comprovou que omissões e meias verdade podem passar, de soluções momentâneas a problemas irreparáveis, pois para a pergunta “Você pode guardar um segredo?” a resposta é incerta, duvidosa e tem prazo de validade.

Também senti na pele as mazelas de outro mal, quando a diversão vira vício, na angústia interminável de Ivanovich, O Jogador de Dostoiévski. Já Os Três Mosqueteiros  (que na verdade se tornaram quatro) me mostraram que a união não somente faz a força, mas também pode significar a salvação.

E no livro mais encantador que já tive o prazer de me aventurar um Pequeno Príncipe me mostrou que a inversão de valores tomou conta do nosso tempo. A beleza, que está nas coisas mais simples, deve ser apreciada e cultivada para florescer.

Enfim, estes e outros personagens invadiram o meu imaginário e a minha subjetividade nos últimos tempos. E que venha 2013, carregado de narrativas envolventes que merecem ser prestigiadas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

As facetas da Nostalgia

Foto de Mauro de Blanco

Uma exposição de fotografias em preto e branco pode motivar muitas reflexões. Em um sábado de agosoto fui até o museu municipal observar o acervo fotográfico deixado por Mauro de Blanco, um dos maiores fotógrafos da história caxiense.  E aquelas imagens me remeteram a uma época em que  tudo parecia mais natural, limpo, puro e belo. Uma Caxias em preto e branco em que os prédios, com sua beleza clássica, não estavam escondidos por enormes e desagradáveis banners gigantes, que destroem por completo a estética da área central. Uma cidade em que as olimpíadas municipais eram amplamente apreciadas, em que os desfiles de bandas eram considerados eventos marcantes e não uma incomoda obrigação, em que os pavilhões da renomada Festa da Uva  acabavam de ser construídos. E a nostalgia de tempos não vividos apareceu como um tsunami no meu mar de reflexões. Saí de lá ainda menos tolerante a vulgaridade estética e sonora que invadiu nossa cidade, fruto da ignorância e da perda de valores. Podem me chamar de careta, mas nunca vou me acostumar à superficialidade e apologia ao consumismo em que estamos mergulhados. O lado obscuro da tão aclamada modernidade.

No mesmo dia fui até o shopping reencontrar algumas das ‘velhas’ amigas, do tempo do colégio. De cabelos mais curtos, mais lisos ou naturais, a conversa demonstrou que, diferente de nossas aparências, a afinidade permanecia intacta, comprovando que amizades verdadeiras não têm prazo de validade, e que, como diria Shakespeare ‘continuam a crescer mesmo a longas distâncias’. Uma dessas amigas nos entregou o convite do aniversário de 15 da sua irmã, e então, mais um momento nostálgico. Dessa vez, recordações de uma época já vivida, em que nossas maiores preocupações eram o presente de 15 que iríamos comprar e a prova de matemática  do dia seguinte. Apesar da saudade desse período tão marcante, foi bom observar aqueles rostos há tempos conhecidos e perceber que agora, mais maduras e experientes, continuávamos sendo parceiras, confidentes, sendo as risadas o ingrediente principal dos nossos encontros. Nem a batata frita queimada atrapalhou este instante de re-vivências. Por coincidência, ou destino, no mesmo dia encontramos uma professora do ensino médio no shopping. Entre comprimentos e sorrisos, mais uma vez aquele sentimento de que o tempo não passou.

Um pettit gateau com sorvete e uns episódios divertidíssimos de Bob Esponja fecharam o dia. Um sábado em que experimentei os dois lados da nostalgia. Percebi que o tempo apenas passa e depende de nós honrar o passado, fazendo com que o presente seja uma dádiva da qual poderemos futuramente nos orgulhar. 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Palavras soltas



Livro entreaberto, palavra sonora: coadjuvante. Folha mofada. Mancha de vinho, cheiro de café. Máquina de escrever, noite em claro. Nostalgia. Déjà vu. Vidas passadas.
Rua de outono, barulho de salto, música imaginária.
Sorriso que fala, olhar que comunica, palavras que escondem. Subjetividade. Perfume no ar, clima ameno. Sensibilidade.
Cultura, arte clássica. Imortal. Marcas deixadas. Sabedoria transmitida. Experiências que ensinam, erros inevitáveis, triunfos possíveis. União, unidade, precisão.
Chocolate que derrete, aroma de tempero, azeite de oliva. Fome insaciável.
Abraço que consola,  silêncio que perdura, conversa que afaga. Amizade, diversidade. Coisas inexplicáveis que fazem sentido.
Bagunça organizada, organização descabida. Excesso de ideias ausência de tempo. Doze badaladas. Hora de sonhar.
Sol poente, céu rosado. Noite cai, lua minguante.
Ideias inteligíveis, palavras escritas e improfanáveis.  Frase inversa, reversa. Complemento, verbo, sujeito. Desordem insana. Peut-être. Incompreensível pela razão.

Hora do chá. Estamos atrasados. Para que? Não se sabe ao certo. Nada é muito certo quando se viaja no país das maravilhas. Feche os olhos. As repostas virão.



domingo, 8 de abril de 2012

Um pouco de mim

Acordo pela manhã e ponho o braço para fora da janela. Uma mania. Gosto de caminhar ouvindo música e fazendo planos. Leio no ônibus e não fico enjoada. Às vezes meus pensamentos não cabem dentro de mim. Tenho ataques de riso com frequência.  Gasto mais dinheiro em cafés e pubs charmosos do que em festas. E muito mais em livros do que em roupas. Tenho um encanto por livrarias e bibliotecas. Adoro fins de tarde. 
Tenho amigos de todos os estilos e sempre me identifico com algo em cada um deles.

O ballet clássico é uma arte que está impregnada em mim.  Parada, estou sempre na meia ponta. Uma música clássica me faz dançar sem que eu perceba. Sapatos de salto me causam mais dor nos pés do que sapatilhas de ponta. Alguns dias sem dança me causam síndrome de abstinência.

Não gosto de futebol, mas na copa do mundo pareço uma torcedora fanática e uma expert no assunto.

Amo a língua francesa, mas conheço mais vocabulário em inglês. Quero morar em Paris, mas uma viagem para Nova York também me encanta. O espanhol não me atrai, mas acho as músicas castelhanas um charme. Adoro tango.

Por falar em música, tenho uns gostos que ninguém entende. Meu celular tem mais música brasileira do que internacional (uma raridade hoje em dia). As músicas populares brasileiras antigas me emocionam. Meus cantores e cantoras favoritos já morreram e são os mesmos da minha vó. Gosto de rock, mas não conheço muita coisa. Adoro blues, mas não conheço quase nada.

Outras estranhezas: não gosto muito de feriados, especialmente nas quartas-feiras. Não tomo bebidas alcoólicas. O gosto não me agrada, e os efeitos muito menos. Gosto de trabalhar e de estudar assuntos relacionados à profissão que escolhi. O jornalismo é a minha paixão.

Adoro cachorros. Sonho em ter um cavalo. Já tive duas tartarugas.

Sou fascinada por coisas antigas. Às vezes acho que nasci na época errada. Quando viajo, passo mais tempo nos museus do que em qualquer outro lugar. Construções antigas, LPs, vitrolas, cartas, fotos em preto e branco. É tudo misteriosamente nostálgico.

Adoro escrever e guardar citações e frases profundas. Decoro músicas e poesias com facilidade.  Declaro poemas para eu mesma. Gosto de criar histórias na minha cabeça. Para escrever, gosto de crônicas. Para ler, de romances históricos e policiais. Adoro jornais e revistas com grandes reportagens.

Costumo dar mais valor aos cartões do que aos presentes. Tenho uma caixa repleta deles.

Já colecionei anéis de latinha, caracóis, adesivos e pontas de lápis de cor. Hoje coleciono ideias e projetos e tenho convicção de que um dia vou conseguir realizá-los. Sou sonhadora, idealista, filósofa, e tenho orgulho disso.

Filmes históricos, comédias românticas, biografias, dramas e aventuras são os gêneros de filmes que me agradam. Já suspense e terror, nem pensar. Desenhos estão entre os meus preferidos. Alguns, já assisti tantas vezes que sei as falas de cor.

Sou quieta, até você me conhecer realmente. Aí não fecho mais a matraca.

Minha mente é uma miscelânea não muito compreensível, como esse texto. Mas é na minha bagunça que eu me encontro (um dia).


domingo, 25 de março de 2012

A pena, o papel e a Bossa Nova


Às vezes sinto-me sufocada com minhas próprias palavras e reflexões. Não consigo recitar alguns dos meus pensamentos, e nem sequer pensá-los organizadamente.  Preciso escrever. A escrita para mim é aquela relação íntima entre eu, a caneta e o papel. É bem diferente da relação um tanto fria que existe entre os dedos e o teclado. Digitar é mais automático. Escrever exige intensidade e emoção. É uma forma de nostalgia.

Tenho ideias extremamente nostálgicas. Gosto de hábitos considerados antigos e pretendo realizá-los no futuro. Contraditório? Depende do ponto de vista.

Já vejo minha futura casa com uma sala repleta de livros. Meu paraíso secreto. Eu chego do trabalho, atiro a bolsa no sofá da sala, tiro os sapatos, desfaço o penteado e me atiro (com cansaço e alegria) na poltrona da minha mini biblioteca. Em seguida levanto ( porque não consigo ficar muito tempo parada), vou até a minha coleção de LPs e escolho o meu preferido: Elis e Tom. Coloco na vitrola.
Na sequência sirvo uma taça de vinho da safra de 1910 (ok, se continuar não gostando de vinho será suco de uva mesmo). Tomo um gole e observo a marca na taça deixada pelos vestígios de batom que ainda possuía nos lábios.

Finalmente vou até a escrivaninha, sento na cadeira e pego minha caneta-pena. Olho para o papel de tom amarelado e começo, mais uma vez, a me revelar tal como sou. Eu, a caneta, o papel e a sinfonia da bossa nova. Escrever é  e sempre será a minha única e mais eficaz terapia.


Obs: Por mais que esse texto venha a ser digitado, o primeiro passo foi transcrevê-lo para o papel.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Elis Regina - A estrela eterna

Elis. A voz que cantou e encantou o Brasil e o mundo. A voz que falou por todos, que cantou com a força e a graça que todos queriam e precisavam ter em tempos difíceis. Elis não foi uma simples cantora. Aliás, de simples ela não tinha nada. Ela foi a intérprete que, com toda a intensidade, personificou um Brasil de efervescência cultural, do surgimento da Bossa Nova, da boêmia carioca e da luta contra a censura. Elis não participou de passeatas ou grandes protestos contra o regime militar, mas sua voz cantando “O Bêbado e a Equilibrista” ou ainda “Chegadas e Partidas” foi ouvida por milhões de brasileiros e representou a dor de milhares de cidadãos que perderam ou foram afastados de amigos e familiares.

Elis nasceu em 1945. Naquela época, ninguém imaginava que aquela menina tímida de 1,5 m de altura e levemente vesga iria se transformar na “pimentinha”, amada pelo Brasil, que daria um golpe no conservadorismo. E sua morte precoce foi um grande susto para fãs, amigos, familiares e admiradores. A música nacional perdeu seu mais precioso diamante. Ela estava longe de ser um falto brilhante.

 Mas Elis não conquistou apenas pela sua voz e interpretação praticamente impecáveis. Ela encantou pelo sorriso e simpatia, pelo olhar e sinceridade, pela intensidade, autenticidade, bondade e inúmeros outros adjetivos terminados em “ade”, que atualmente parece estarem em extinção. Não lembro ao certo quando comecei a me interessar por Elis, mas lembro que ela me surpreendeu e envolveu como nenhum cantor atual seria capaz. Ouvindo suas músicas, sinto como se ela ainda estivesse viva.

Com o tempo e a maturidade, o interesse por sua música e história só aumentou. Assisti entrevistas, programas especiais, li sua biografia - que não pode ter nome mais adequado: “Furação Elis” -, visitei seu memorial em Porto Alegre, procurei seus discos entre os LPs de minha mãe e recentemente comprei o disco Falso Brilhante em uma loja de colecionadores. Ouvi na vitrola da minha vó, que também é uma grande fã e me contou várias histórias de quando Elis estava viva. Foi então que finalmente entendi: Elis é insubstituível.

 Trinta anos após sua morte, ela ainda é lembrada, suas músicas são tocadas nas rádios e seus fãs não a esqueceram. Ninguém conseguiu superá-la. Mas por um lado é bom que ela não esteja aqui para assistir a essa decadência musical brasileira.  A maioria dos bons cantores é antiga; e os cantores jovens que se salvam não fazem o sucesso que mereceriam.

Elis está longe de ser um meteoro desses que, com a mesma velocidade que surgem, desaparecem. Elis é como uma estrela: brilhante, inatingível e (excepcionalmente) eterna.







quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Viagens e retornos

Malas prontas. Tudo conferido. Um estoque considerável de livros selecionados. Acho que não esqueci nada. É hora de partir. Novos ares, novas paisagens. Pessoas diferentes, sotaques dos mais diversos. Viajar é muito bom. Mas voltar pra casa também é maravilhoso.
Quando passamos algum tempo fora costumamos sentir falta de casa. E dos amigos. Quando estamos longe parece que a saudade se mostra constante. Mesmo que você não veja essas pessoas todos os dias, quando se está em casa você sabe que é só pegar o telefone, discar aquele número que você sabe de cor e marcar um café ou um jantar pra botar a conversa em dia. Fora da cidade isso não é possível.
Voltar pra casa é como encontrar um sofá depois de uma longa caminhada em um belo parque. O passeio foi maravilhoso mas, no momento, aquele recanto aconchegante era tudo o que você estava precisando.
As viagens costumam durar o tempo que é preciso. Assim como tudo na vida tem o seu momento e duração mais oportunos. Dura o tempo necessário para sermos felizes. E para ficar registrado na nossa lembrança como um momento especial e inesquecível.
É como diz a música: “Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está, nem desistir nem tentar agora tanto faz, estamos indo de volta pra casa”.

domingo, 6 de novembro de 2011

O sorriso da infância


Arrecadar e registrar sorrisos. Esse foi o desafio lançado na minha última aula de Introdução à Fotografia. A idéia pegou a maioria de surpresa e fez surgir, na face dos jovens estudantes, alguns sorrisos. Eu também sorri. O meu pensamento estava dividido: por um lado, eu vibrava com a idéia e por outro, eu desconfiava: será que vai dar certo? Acreditando ou não na eficácia da atividade, precisávamos nos reunir em grupos e pôr a ‘mão na massa’. Ou melhor, colocar a máquina fotográfica no pescoço, a cabeça pra funcionar e permitir que os comunicadores que existem dentro de nós se expressassem com toda a potência. E é claro, teríamos que deixar a timidez dentro da sala de aula, quietinha, sem atrapalhar a nossa empreitada pelo campus da universidade. Munidos apenas de uma máquina, um cartaz para chamar a atenção e um sorriso no rosto para dar o bom exemplo lá partimos para cumprir nossa missão de convencer as pessoas a registrar o seu sorriso.
Mais do que belas fotos, essa atividade revelou fatos interessantes que me fizeram refletir. Captamos sorrisos de casais, homens (não muitos), mulheres (a maioria) e crianças. O que eu pude constatar com os retratos ( e os membros dom meu grupo também perceberam isso) foi: quem sorri com mais sinceridade e espontaneidade são as crianças. A alegria transparecia naqueles sorrisos infantis.
Conforme vamos crescendo, parece que somos tomados pelo receio. Temos medo de nos expor demasiadamente (até mesmo por um sorriso), medo de nos revelar verdadeiramente, medo do que os outros podem pensar. Não estou dizendo que os adultos são incapazes de expressar um sorriso sincero. É claro que não. Estou apenas querendo demonstrar que a maturidade, por vezes, no traz receios desnecessários. A incessante desconfiança.
Às vezes, é bom deixar que a criança interior se expresse. Revelar o eu interior que, de tão recluso, corre o risco de ser esquecido. Deixar as máscaras de lado, sem medo de ser feliz. Demonstrar o mais puro sorriso, que não está somente nos lábios, mas também, no olhar.

Para concluir, deixo uma reflexão do livro que eu estou lendo chamado ‘Miragem’:

 “Redescobrir a pureza da infância é o embasamento para a compreensão das grandes verdades”
Luciana Soares


domingo, 23 de outubro de 2011

O valor do inusitado

Desde os meus 11 anos, adotei o uso de uma agenda pessoal. No começo, ela era usada literalmente como diário, local onde eu escrevia desde os acontecimentos mais interessantes do meu dia a dia até os mais triviais, além de alguns segredos (que nem eram tão secretos assim). Mais tarde, passei a utilizá-la também para marcar os meus compromissos. Ela tinha dupla função: passado e futuro se encontravam nas páginas deste meu artefato tão íntimo. Hoje, ela é utilizada muito mais para marcar o que preciso fazer. Abandonei o hábito de escrever o que me acontece diariamente (até porque não sobra muito tempo para isso). Eventualmente, colo ingressos dos espetáculos que vou prestigiar (considero uma bonita recordação) e também penduro textos e desenhos com os quais me identifico e os quais expressam um pouco dos meus pensamentos ( mesmo que não sejam de minha autoria).
Mas enfim,essa introdução foi só para dar início ao assunto que eu quero abordar. Como já disse, hoje minha agenda cumpre a função mais primordial de objetos da sua espécie, ou seja, registrar compromissos e atividades que não posso esquecer de realizar. Normalmente, escrevo a caneta e se tem uma coisa que sempre me chateou foi registrar eventos na minha agenda e precisar rasurá-los pois acabaram sendo desmarcados por terceiros.
Porém, esses dias estava refletindo sobre isso e percebi que não havia motivo para considerar esse risco sobre as letras uma coisa ruim. Afinal, que graça teria a vida se tudo o que planejássemos acontecesse na hora e no momento previsto, exatamente como imaginamos. Na maioria das vezes, os acontecimentos mais divertidos são aqueles que não estavam em nossos planos. Ou então estavam, mas acontecerão completamente diferente do que pensávamos e muito melhor do que havíamos imaginado. A verdade é que os fatos inesperados são vividos com maior intensidade e autenticidade.
Confesso que ainda não gosto quando pessoas desmarcam encontros, especialmente em cima da hora. Mas, aprendi a me estressar menos com as rasuras na minha agenda. Afinal, como acontece nos textos, quando rasuramos palavras normalmente é porque erramos ou queremos substituí-la por uma mais adequada. Na vida, quando desmarcamos algo é porque não era para acontecer ou porque ele será substituído por um acontecimento ainda melhor. Mesmo aqueles que tem tudo milimetricamente planejado precisam admitir: o inusitado também tem seu valor.

sábado, 17 de setembro de 2011

A sinfonia da diversidade

No último domingo, fui assistir a um espetáculo musical diferente. Foi uma apresentação de rock sinfônico. A orquestra municipal de sopros de Caxias do Sul se uniu a banda de rock progressivo Apocalypse e ao coro municipal para produzir uma música indescritível. Realmente maravilhosa. Não imaginei que gêneros tão diversos poderiam produzir uma melodia tão harmoniosa e emocionante. Uma música que passa a sensibilidade e a emoção do clássico junto com a energia do rock.
Foi aí que percebi como é comum este pré-conceito que temos de pensar que o que é diferente não combina, fica estranho junto. Temos a impressão de que tudo precisa ser combinadinho e parecido. Como poderão coisas aparentemente opostas conviver em harmonia? Pois o rock sinfônico se tornou a minha metáfora para mostrar que isso não só é possível, como é real e concreto. Pois o que eu vi no palco não foram apenas gêneros diferentes que se respeitavam, mas também que admiravam um ao outro e que unidos conseguiram produzir um som ainda melhor do que aquele que produzem separados. Músicas que se completam para produzir uma música realmente completa, capaz de provocar emoções inexplicáveis e complexas.
O espetáculo de rock sinfônico foi aplaudido de pé. Eu os aplaudo de pé não só pelo trabalho fantástico, mas pelo belo exemplo transmitido por eles. O exemplo do respeito mútuo e da união capaz de proporcionar vôos muito mais altos. Em um dia marcado pelos 10 anos do atentado de 11 de setembro, um triste episódio que incentivou tanto ódio, incompreensão e desunião no mundo, foi muito bom prestigiar um espetáculo que demonstrou o contrário de tudo isso. Como disse o maestro Gilberto Salvagni “para mim, música é o contrário de violência”.
Portanto, saudemos a música, a paz e a diversidade.
Quem se interessou pode assistir um trecho do espetáculo em : http://www.youtube.com/watch?v=au0OTbOzTLI

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Às bailarinas...

Hoje, 1º de setembro é dia da bailarina. Eu, como amante do ballet clássico, não poderia deixar de falar sobre isso. Hoje é dia de homenagear pessoas muito especiais. Pessoas que são ao mesmo tempo fortes e sensíveis, doces e severas consigo mesmas. Que passam por cima de dores terríveis, pressão psicológica e muitos outros empecilhos em nome de um único motivo: o amor à dança. Um amor inexplicável a uma das artes mais belas do mundo. Muito mais do que um exercício físico, dançar é exercitar a alma.
Com a dança aprendi a superar meus medos, vencer minhas limitações. Aprendi a acreditar mais em mim mesma, pois o esforço e a dedicação são capazes de nos proporcionar a realização de feitos inimagináveis. Passei a entender perfeitamente aquele famoso ditado que diz: a união faz a força. A arte em si é apenas um dos aprendizados que a dança proporciona. Quando dançamos com amor, sentindo a música, incorporando o personagem, descobrimos a existência de uma emoção extremamente grandiosa (e maravilhosa). Sentimentos que só uma bailarina tem a oportunidade de sentir.
A mais antiga das danças, a clássica (aquela que sobrevive ao tempo), já despertou o interesse e a admiração de inúmeros personagens célebres. Entre eles está o pintor escultor Degas. Este personagem enigmático é um francês que fez diversos quadros belíssimos de bailarinas. Obras que conseguiam, simultaneamente, expressar a beleza e as dificuldades do ballet clássico. Em toda a sua vida ele fez apenas uma escultura intitulada "La petite danseuse de 14 ans" (A pequena bailarina de quatorze anos). Esta obra, com uma surpreendente riqueza de detalhes, deixou horrorizados os conservadores da época. Ela expressava a pessoa que existe atrás de toda a perfeição da bailarina.
Abaixo você pode conferir esta bela escultura, além de outras maravilhosas obras de Degas:



E como diria Nietzsche: "...E que seja perdido o único dia em que não se dançou."

sábado, 27 de agosto de 2011

A escolha certa

Ultimamente venho refletindo sobre como algumas escolhas são importantes em nossas vidas. Acho que uma dessas grandes escolhas é a que fazemos no final do terceiro ano ensino médio(ou um pouco antes) em que decidimos a nossa profissão, a que pretendemos seguir pelo resto de nossas vidas. Algumas vezes, está decisão é alterada do decorrer do percurso. Há pessoas que mudam de curso e outras que, mesmo depois de formadas, decidem fazer algo diferente, montar o próprio negócio ou transformar o hobbie (como a pintura por exemplo) em profissão.
A maioria das pessoas analisa diversos parâmetros para tomar esta difícil escolha. Porém, acredito que existam alguns aspectos que não podem, de maneira nenhuma, se sobrepor a outros. O dinheiro é um deles. É claro que é importante ganhar um salário suficiente para viver bem. Mas ele não pode comandar esta decisão. A ganância, sem dúvida, não traz felicidade. Não há recompensa maior do que trabalhar com o que se gosta e naquilo que se acredita. Ficamos entusiasmados com nossos feitos, superamos nossas limitações e, muitas vezes, realizamos sonhos. Hoje posso afirmar, mais do que nunca, que tenho certeza que fiz a escolha certa. Torço para que todos os estudantes consigam, assim como eu, descobrir o seu talento e o seu sonho e lute por ele. É melhor mudar de opção, mil vezes se for preciso, do que dedicar a vida há algo em que não se acredita. Os obstáculos sempre existirão mas, quando você tem a oportunidade de estagiar ou trabalhar na sua área, fica perceptível que tudo valeu a pena.
Ok, não é errado analisar a remuneração, as vagas no mercado de trabalho e até mesmo ouvir sugestões de amigos e familiares, mas nunca podemos deixar de ouvir a nós mesmos, às nossas  preferências. Já dizia Confúcio: escolha um trabalho que ama e não terá que trabalhar um único dia em sua vida”.

"Pode-se viver no mundo uma vida magnífica, quando se sabe trabalhar e amar: trabalhar pelo que se ama e amar aquilo em que se trabalha."Leon Tolstoi


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O menino, o óculos e a realidade

Domingo (dia dos pais), no final da tarde, estava eu verificando meus e-mails e pensando em um bom tema para escrever no blog. Até tive algumas idéias. Mas, de repente , vejo o e-mail de uma grande amiga minha que tinha como assunto “Arnaldo Jabor”. Eu, como adoro os textos dele, imediateamente abri a mensagem. No final do texto (que é ótimo por sinal) tinha uma observação da minha amiga que dizia: “Um bom tema  para o metaforicamente falando”. E realmente é um ótimo tema. Então, resolvi escrever sobre ele.
O título do texto é “O menino está fora da paisagem”. Ele fala, com muita sinceridade e autenticidade (próprias do Arnaldo Jabor) o que a grande maioria das pessoas pensam sobre os meninos de rua e o que eles pensam da grande maioria  das pessoas. Como um convive com o outro, reage na presença do outro. O menino de rua e a grande metáfora que representa a miséria inocente. A miséria resultante  do mundo capitalista e de suas profundas desigualdades e antíteses. O menino não tem culpa de ser pobre, de estar fora da escola , de precisar mendigar por dinheiro e comida. E talvez, justamente por ele não ter culpa é que nos sentimos desconfortáveis com a sua presença. Relembramos nossa  parcela de culpa e não sabemos que atitude tomar para fazê-la desaparecer. Optamos, normalmente, pelo caminnho mais fácil, ou seja, ignorar a presença do menino. Não só a presença como a existência.  Nas palavras de Arnaldo Jabor:“Ele é um penetra, uma espécie de turista marginal”.
Quando estava mais ou menos no meio da leitura, tirei meu óculos. Ele estava sujo. Percebi que, involuntariamente, eu havia demonstrado uma ótima metáfora para esta situação. A sociedade mantém os óculos sujos para fingir que não enxerga as realidades incomodas como o menino mendigo. Deixá-lo sujo é muito mais comodo. Limpar da trabalho. Pensar e agir para resolver o problema do menino também.
Mas, é cada vez mais freqüente o aparecimento de campanhas de combate à fome e à miséria. Elas tiram e limpam nossos “óculos” e nos abrigam a prestar mais atenção nesta parcela da humanidade. Percebemos então, a miséria que vem se tornando a moral dos seres humanos, que deixam crianças morrerem em nome da permanência do sistema.
Porém, talvez ainda exista uma solução. A dica está implícita na primeira frase do último parágrafo do texto: “Ele (o menino) tem ao menos uma utilidade: estragando nossa paisagem presente, pode melhorar nosso futuro”.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

E a guitarra elétrica?

Ontem, estava eu lembrando da música "Terra de Gigantes", dos Engenheiros do Hawaii, que tem uma linda letra, cheia de reflexões. "Ei, mãe, eu tenho uma guitarra elétrica. Durante muito tempo isso foi só o que eu queria ter. Mas, hei mãe, alguma coisa ficou pra trás, antigamente eu sabia exatamente o que fazer". Este é o início da música e foi o trecho que, desta vez, me chamou mais a atenção e me fez parar para analisar. Fiquei pensando que sempre estamos em busca da conquista de algo e, quando conquistamos, percebemos que aquilo, na verdade, não era tão relevante quanto parecia. Agora já estamos em busca de outra coisa.
Às vezes esta "coisa" se concretiza e transforma-se em bens materiais. Mas, principalmente nestes casos, logo percebemos que não nos tornamos mais realizados com esta conquista. Então, vamos em busca de sonhos, metas, transformações e verdadeiras realizações. Depois de algum tempo percebemos que isto é mais difícil do que parece, mas que, a cada dificuldade superada, nos impulsionamos mais ainda para a realização desta meta.
Lembrei-me de quando tive o primeiro contato com esta música, que foi tocada e cantada pelo professor na aula de História do primeiro ano. Naquela época, lembro que notei o choque de realidade que a música transmitia, mas confesso que não percebi que a resolução para os problemas e as grandes mudanças eram muito mais complexas e requeriam muito mais tempo do que eu imaginava.
Hoje, sei  que o que busco é um verdadeiro ideal, que é maior do que um simples sonho, e que vou precisar de muito mais esforço e força de vontade para alcançá-lo. Tenho o ideal filosófico da sabedoria, o ideal de me tornar uma pessoa melhor, melhorar as pessoas ao meu redor e, por que não, contribuir para melhorar (um pouco que seja) o mundo.
Escolhi uma profissão que a grande maioria das pessoas dizem que não tem muito futuro, que é difícil de conseguir reconhecimento, que o mercado está saturado, que o diploma não é mais tão importante. Porém, acredito que ela pode contribuir na realização do meu ideal. Vou procurar realizá-lo através das minhas palavras, dos textos que irei escrever, das denúncias que irei fazer, dos bons exemplos que irei divulgar e da ação e reação que pretendo ter e provocar nas pessoas. Ação para exigir a justiça, a ética, o comprometimento, a honestidade. Não podemos esperar que o mundo se transforme se ficarmos de braços cruzados. Não vou me deixar vencer por alguns empecilhos, pois, como diz no livro Paz Guerreira: "Entre o caminho mais fácil e mais difícil, eu sempre escolho o mais difícil". Sei que o caminho mais difícil irá me trazer mais ensinamentos e que ele só é mais difícil porque visa a um bem maior.
Minha "guitarra elétrica" se tornou mais difícil de tocar, mais complexa, mas a sua potência aumentou na mesma proporção. Afinal, como a frase da minha camiseta do terceiro ano, trecho de uma música do AC DC:  It's a long way to the top if you wanna rock'n roll.
Você já parou para pensar qual é a sua “guitarra elétrica”?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Flores - inutilmente necessárias

Há algumas semanas , estava assistindo ao programa Pirei, apresentado pela Bety Lago no GNT e me deparei com uma constatação bem interessante. O programa era sobre flores e em determinado momento ela entrevistou um homem em um orquidário. Ele disse que as flores, estas que gostamos de cultivar em vasos e em jardins pessoais, na verdade são inúteis e mesmo assim todos as adoram. Então, comecei a refletir sobre como existem tantas coisas em nossas vidas que são inúteis e, ao mesmo tempo, extremamente necessárias.
Pense bem, o que é realmente útil na sua vida, no sentido de completamente indispensável para a sobrevivência? Comer, dormir, fazer as necessidades e higiene pessoal. Mas, todos sabem que uma vida assim, na verdade, não duraria muito, pois morreríamos de tédio ou de depressão. Que graça teria nossa vida sem aquelas coisas adoravelmente inúteis e inutilmente necessárias? Ler por prazer, viajar por lazer, tomar café com os amigos, sair para se divertir, ouvir música, dançar, assistir filmes, escrever em um blog, aprender novas teorias, decorar novos poemas. A lista é imensa e é graças a tudo isto que a nossa existência neste mundo se torna mais agradável e encantadora, desde que saibamos aproveitar estes momentos
Vivemos em uma época caracterizada pelo o que Martha Medeiros chama de “síndrome da utilidade”. Portanto, é bom refletir sobre tudo isso e perceber que ainda não fomos totalmente dominados por esta síndrome. São muitos os antídotos para a caretice e a monotonia. Seguindo o exemplo das flores, talvez a delicadeza seja um dos melhores meios de prevenção. Delicadeza para perceber e viver cada um destes momentos intensamente. Como diria Affonso de Sant'Anna: "Sejamos delicados. E, se necessário for, cruelmente delicados".
 Afinal, realmente seria possível viver sem as inúmeras flores que colorem e alegram nossas vidas? Imagino que não, pois neste caso deixaríamos de viver e passaríamos apenas a existir.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

"Venceu a arte!"

Apesar de ser estudante de Jornalismo, confesso que raramente paro para assistir ao Globo Repórter. Normalmente, deixo a TV ligada e faço milhares de coisas ao mesmo tempo,  enquanto ouço um ou outro trecho das reportagens.

Entretanro, na última sexta, a temática do programa me chamou a atenção. O assunto central eram os trabalhadores que ganham a vida nas ruas e conquistam os mais variados tipos de público. Por ser uma amante das artes de modo geral, o trecho que mais me envolveu foi o que falava dos artistas de rua. O escultor de areia talentosíssimo e as estátuas humanas... Estas me fizeram literalmente parar para assistir e ouvir um pouco as suas histórias. Sempre fui uma grande admiradora destes artistas que fazem parte do cenário das cidades e levam um pouco de beleza, arte, cultura, leveza e humanidade aos centros que estão cada vez mais cinzentos. Eles vão na contramão do corre-corre das grandes cidades, e as pessoas param para ver, pois ficam encantadas com a perfeição do trabalho. De certa forma, com muita maestria, eles conseguem combater a indiferença, um grande mal que está se disseminando nos dias atuais.

Porém, sempre existem aqueles que se tornaram tão indiferentes que sequer a arte conseguem reconhecer. Desta vez, a guarda municipal do Rio de Janeiro tornou-se a vilã por querer espantar o artista. Os guardas não queriam permitir que ele permanecesse ali, parado no centro do Rio. O artista perdeu a pose e chorou. Eu sentei na cama e chorei. Senti uma mistura de indignação e tristeza. Imagino que foi o mesmo que a estátua humana sentiu. Foi aí que ocorreu algo inusitado... O povo uniu-se ao artista em defesa da arte e do direito da liberdade de expressão. Muitas pessoas reuniram-se em volta da estátua e surgiram frases... palavras de um povo que não aguenta mais tanta injustiça... palavras de revolta, da sabedoria popular:

"Coitado do cara, trabalhando aí, não fez mal a ninguém..."

"Assaltar pode, roubar pode, trabalhar não..."

"É direito do ser humano se expressar."

"Um artista não podendo mostrar a obra dele."

Palavras simples de um povo simples que, apesar de todos os desencantos da vida, ainda sabe reconhecer a arte e estava disposto a defendê-la. A estátua também falou: "Eu só quero levar um mundo diferente pra muita gente". E assim, depois de algum tempo, os guardas resolveram permitir que o artista trabalhasse. Ele, com alívio e emoção perceptíveis, lançou a frase da vitória: "Venceu a arte!"

Neste momento, percebi que, por mais que a cultura não seja incentivada e valorizada como deveria, temos certo poder natural para reconhecê-la, e um instinto para defendê-la. Basta que não deixemos que a indiferença nos cegue.

A arte venceu, o povo brasileiro venceu, herois anônimos se revelaram. Senti um orgulho muito maior do que quando a seleção vence um jogo de futebol. Mais do que orgulho, senti admiração por todas estas pessoas que se uniram em defesa da justiça, da arte e do artista.

P.S.: Parabenizo também o jornalista Christian Caseli, que gravou este acontecimento com o celular e postou no You Tube com o título: "Proibido parar". E à equipe do Globo Repórter por perceber a relevância do fato e divulgá-lo ainda mais.


sábado, 30 de julho de 2011

Aproveitando o tempo “perdido”

Se um dia pudéssemos calcular quanto tempo da nossa vida perdemos esperando, seja na fila de bancos, médicos e mercados, seja por amigos e companheiros em carros, cafés e praças de alimentação, ou qualquer outro tipo de espera que nos faça bocejar, bufar ou ficar inquietos, com certeza nos assustaríamos.
Mas por que, afinal, nós já classificamos este tempo como “perdido”, ao invés de aproveitá-lo com algo realmente útil? A grande pergunta que deve estar rondando a sua cabeça é :“Mas como?”
A resposta é ainda mais simplória que a pergunta: LENDO!
A leitura, quando levada como uma atividade prazerosa, acrescenta conhecimentos imensuráveis. Já disse o professor Mason Codley: “A literatura nos dá um lugar para ir quando temos que ficar onde estamos”. A atitude a ser tomada é simples:adotar um livro como seu companheiro inseparável, levá-lo para onde você for.
Nos países desenvolvidos, principalmente os europeus como a França, é frequente observarmos em metrôs, praças e outros lugares muitas pessoas com os olhos grudados nas páginas de um livro. Porém, infelizmente, em países como o Brasil, este brilhante aproveitamento de tempo não é comum.
E talvez essa diferença de mentalidade seja um dos fatores que explique as inúmeras outras grandes diferenças entre estes países, em termos econômicos e de qualidade de vida.
Afinal, como diria o nosso brilhante poeta gaúcho Mário Quintana: “Os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não leem.”